
saudade, por cecilia gianneti e adriana varejão.
“e não senti aquela dor de novo, não daquele jeito. mas outras dores apareceram pra mostrar que a vida é assim mesmo, por mais que a gente se pergunte se já não teve a nossa cota.”
a dor de um ex-amigo, em don’t touch my moleskine
“a saudade que se tem de pessoa de quem a gente não gosta mais, essa mágoa e esse rancor - como se chama?” Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo
De vez em quando, tenho vontade de viajar. O que chamo de viajar não tem muito a ver com viagens de férias. Tampouco significa necessariamente desbravar terras virgens.
Encontrei a melhor definição do que é viajar numa maravilhosa e breve fábula de José Saramago, que acaba de ser publicada, “O Conto da Ilha Desconhecida” (Companhia das Letras). O protagonista explica assim seu desejo: “Quero encontrar a ilha desconhecida. Quero saber quem eu sou quando nela estiver”.
Viajar é isto: deslocar-se para um lugar onde possamos descobrir que há, em nós, algo que não conhecíamos até então.Contardo Calligaris
Fernweh is a wonderful word, too. If Heimweh means “homesickness”, then I guess Fernweh literally means “farsickness”. I’ve often seen it translated with yet another excellent German word: Wanderlust. It’s that feeling I get when I read travel guides, or when I think of the great vacations that I’ve had or the great vacations that I’d love to take. It’s that feeling of sand in my shoes, that itching to be out of the house and off having adventures in some far-flung corner of the world (preferably a corner with gemütliche restaurants and B&Bs).
os processos criativos, assim como a mola propulsora do ato de criação, são extremamente particulares de cada indivíduo. no entanto, a criação segue uma lógica comum a nós, humanos. e acredito que a sensibilidade que nos leva a expressar algo são sempre muito íntimas, mas compartilhamos a necessidade de expressar. criar também é expressar.
sempre gosto de saber mais sobre o que é inspiração para os artistas que admiro. e fiquei surpreso quando descobri, recentemente, um texto de clarice lispector que na verdade é a fala dela em um congresso de bruxaria. por mais curioso que seja o fato, neste congresso clarice falou sobre a magia de criar, sobre o seu ato criador, em como escrever, para ela, era algo que vinha de uma camada tão íntima que chegava a ser misteriosa.
vale a pena ler o artigo que está disponível no site da editora rocco para a escritora.
O artista é o criador de coisas belas.
Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte.
O crítico é aquele que pode traduzir, de um modo diferente ou por um novo processo, a sua impressão das coisas belas.
A mais elevada, como a mais baixa, das formas de crítica é uma espécie de autobiografia.
Os que encontram significações feias em coisas belas são corruptos sem ser encantadores. Isto é um defeito.
Os que encontram belas significações em coisas belas são cultos. Para estes há esperança.
Existem os eleitos, para os quais as coisas belas significam unicamente Beleza.
Um livro não é, de modo algum, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo.
A aversão do século XIX ao Realismo é a cólera de Calibã por ver seu rosto num espelho.
A aversão do século XIX ao Romantismo é a cólera de Calibã por não ver o seu próprio rosto no espelho.
A vida moral do homem faz parte do tema para o artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito. O artista nada deseja provar. Até as coisas verdadeiras podem ser provadas.
Nenhum artista tem simpatias éticas. A simpatia ética num artista constitui um maneirismo de estilo imperdoável.
O artista jamais é mórbido. O artista tudo pode exprimir.
Pensamentos e linguagem são para o artista instrumentos de uma arte.
Vício e virtude são para o artista materiais para uma arte.
Do ponto de vista da forma, o modelo de todas as artes é o do músico. Do ponto de vista do sentimento, é a profissão do ator.
Toda arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo. Os que buscam sob a superfície fazem-no por seu próprio risco.
Os que procuram decifrar o símbolo correm também seu próprio risco.
Na realidade, a arte reflete o espectador e não a vida.
A divergência de opiniões sobre uma obra de arte indica que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os críticos divergem, o artista está de acordo consigo mesmo.
Podemos perdoar a um homem por haver feito uma coisa útil, contanto que não a admire. A única desculpa de haver feito uma coisa inútil é admirá-la intensamente.
Toda arte é completamente inútil.
este é o prefácio do retrato de dorian gray, do oscar wilde, escrito em 1891.
quando comecei esse blog, sabia da importância de ter uma forma de registrar uma pesquisa. ou melhor, ter o blog era sistematizar os fatos quer surgem todos os dias quando se começa a explorar um assunto. sem anotar, as coisas se perdem, somem, ficam esquecidas. anotar é essencial.
o blog não funcionou tanto quanto eu queria. atolado em outras tantas obrigações, as atualizações era espassas. uma certa auto-crítica também impedia algumas coisas (o fato de ser público gera discussões produtivas, mas também críticas que nem sempre estamos preparados para ouvir). por outro lado, outras coisas foram censuradas para não revelar o produto final e outras por medo de serem meras palavras ao vento.
seja como seja, o produto final dessa pesquisa nasceu. é um livro-objeto, ou livro de artista, e anda circulando por ai. um pouco mais sobre ele está em guiathayde.com. e, também como parte dessa experiência, vi que o produto pronto não é o fim de uma pesquisa. ela continua. porque a gente só luta pra chegar a uma conclusão que vai nos abrir outras centenas de dúvidas.
e por isso o blog continua.