Category Archives: inspiração

design, ilustração, inspiração

as letras de jessica

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Nas minhas recentes incursões no mundo do lettering e caligrafia, tive oportunidade de conhecer o trabalho de diversos designers incríveis. No entanto, através do video The Adobe Illustrator Story (um micro documentário que conta a história do Adobe Illustrator e conseqüentemente do design gráfico contemporâneo), conheci o trabalho da americana Jessica Hische.

Além de uma extensa produção, ela também desenvolve projetos na internet – divertidos e ótimas ferramentas de auto-promoção, como o Don’t Fear the Internet, que ensina básicos de web design para iniciantes, ou o Quotes and Accents, para quem tem preguiça de buscar os caracteres especiais na hora que está diagramando. O meu favorito é o Daily Drop Cap, de onde tirei a imagem que ilustra o post.

brainstorm, experiência, inspiração

tic-tac-toc

A noção em senso comum de tempo é inerente ao ser humano, visto que todos somos, em princípio, capazes de reconhecer e ordenar a ocorrência dos eventos percebidos pelos nossos sentidos. Contudo a ciência evidenciou várias vezes que nossos sentidos e percepções são mestres em nos enganar. A percepção de tempo inferida a partir de nossos sentidos é estabelecida via processos psicossomáticos, onde variadas variáveis, muitas com origem puramente psicológica, tomam parte, e assim como certamente todas as pessoas presenciaram em algum momento uma ilusão de ótica, da mesma forma de que em algum momento houve a sensação de que, em certos dias, determinados eventos transcorreram de forma muito rápida, e de que em outros os mesmos eventos transcorreram de forma bem lenta, mesmo que o relógio – aparelho especificamente construído para medida de tempo – diga o contrário.

(…)

Medir o tempo significa em princípio registrar coincidências.

O tempo, quando o Wikipedia também é um pouco poesia.

experiência, inspiração, literatura

sigo pensando que escribir te salva la vida

Há alguns anos, eu estava passando os canais na TV, até que parei numa emissora onde estava acontecendo um desses programas que são meio debate, meio entrevista.  O que me chamou a atenção foi a entrevistada, uma espanhola com sotaque bem carregado, falando da tatuagem que tinha, era uma salamandra ou algo assim. Ela mostrava a tatuagem e fazia uma explicação sobre o porque dela. A verdade é que agora, anos depois, não sei dizer onde era, nem porque. Não sei nem mesmo porque ela me chamou atenção: se era pelo fato de ser espanhola ou ter uma tatuagem de salamandra.

Mas eu já tinha sido capturado. Mudar de canal bruscamente é como cair no meio de uma conversa sem saber o contexto: você tem que ficar um tempo parado para entender o que se passa. E daí eu descobri que essa mulher se chamava Rosa Montero, era mesmo espanhola de Madrid, além de ser jornalista e escritora. Estava no Brasil para promover o seu livro mais recente (na época), Paixões. O livro era uma compilação de artigos escritos para um jornal madrilenho, biografias de casais famosos ao longo do tempo. Talvez o tema não me interessasse tanto, eu não era assim tão afeiçoado a biografias, mas eu precisava ler algo daquela mulher. E estava certo quando apostei na forma instigante com que Rosa narra essas histórias e como ela aborda a paixão em si, e não as histórias isoladas. Que quando ela fala daqueles personagens do mundo, ela fala na verdade de pessoas, de nós, da nossa loucura.

Mesmo tendo gostado muito desse livro, nunca havia lido mais nada dela. Até que, novamente, um dia folheando uma revista, li um comentário sobre um livro chamado A Louca da Casa. E quando me atentei bem, era novamente Rosa. Pouco tempo depois encontrei o livro por acaso quando passei em uma livraria. Um pouco diferente de Paixões, esse livro fala sobre a literatura, a imaginação, um pouco de loucura. Enquanto antes ela falava sobre as paixões, essa condição de perder-se, a literatura é a condição para ser. Como leitores, ou como escritores, para Rosa “a palavra é o que nos faz humanos“. O título desse post é tirado desse livro, e o trecho segue: “…continuo pensando que escrever pode salvar a tua vida. Quanto tudo mais falha, quando a realidade se apodrece, quando sua existência naufraga, sempre podes recorrer ao mundo narrativo”

Eu poderia dizer que A Louca da Casa é um livro para criadores, sobre processo de criação, sobre como fabular. Mas tem coisas que todos precisamos saber. E algumas estão escritas lá.

inspiração, solidão

o amor é facinho.

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“Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho – esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?

Eu suspeito que não.

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.

daqui, via Mônica Boscarino.

a foto é de Camilla Costa.

inspiração, música, poesia

she was amazing.

O problema da Amy não eram as drogas. Ela era uma mulher apaixonada, e absorvida que estava por essa paixão, não conseguiu nunca superar a melancolia dos, cada vez mais banalizados, desencontros amorosos. Como tantos outros tantos criadores excepcionais, ela usou o sofrimento para criar músicas que entraram na vida de tantas outras pessoas. Todo esse sucesso não era a felicidade que ela queria. O que ela queria mesmo era bem mais simples.

meu amor não gosta dos sábados
domingos ou dias de semana
meu amor não quer feriados
meu amor não quer tirar folga
eu só queria tirar o dia
pra dizer
agora que há você
o que é que vem agora

temperamento difícil para amar, via don’t touch my moleskine.

inspiração, missiva

os dias.

———- Mensagem Encaminhada ———-
Assunto: Re: escape.

(…) porque eu quero sair e não sei para onde quero ir ou o que eu quero fazer, ou onde quero estar, ou com quem quero estar. e eu saio. e tomo meu café. e fumo meu cigarro. e acalmo. para sentir a mesma coisa depois. logo depois.

o que eu lhe daria hoje e o que eu posso dizer é que hoje eu escutaria você. escutaria você mesmo que fosse o silêncio. mesmo que te escutar fosse andar por uma cidade vazia de domingo cuidando para não me perder de você no silêncio. escutaria você tomar seu café. e também acompanharia sua fuga de você. não somente porque eu amo você. e eu amo. acompanharia porque eu sei que vez por outra a gente quer estar sozinho com a possibilidade de estender a mão, se cansar. eu seria sua mão neste domingo. se eu pudesse, hoje eu seria sua exceção na solidão absoluta.