quarta-feira, dezembro 10, 2008
Um artigo do dia 09/12/2008, publicado no site Elpais.com comenta a discussão que movimentou um congresso em Barcelona: o anonimato como forma de resistência na sociedade da superinformação. Intitulado “La era de los hombres sin atributos”, o artigo desenvolve-se sobre a idéia do anonimato como uma estratégia para inverter a lógica da sociedade de controle.
É interessante como são articuladas as expressões dessa idéia na arte. Cita-se grupos musicais como o Daft-Punk, cujos participantes preservam a real identidade através do uso de máscaras em aparições públicas. Por fim, o jornalista comenta as relações pós-modernas entre sociedade de controle e a cobertura midiática, o que incrementa a circulação e criação de não-lugares (espaços de consumo, circulação e comunicação). Comenta-se também o papel das novas tecnologias na criação de identidades múltiplas, como podemos ser vários ao usar esses novos meios e como isso pode gerar um desinteresse pela realidade cotidiana.
O artigo pode ser acessado em:
http://www.elpais.com/articulo/cultura/era/hombres/atributos/elpepicul/20081209elpepicul_6/Tes?print=1
quinta-feira, dezembro 4, 2008
Camilla: e as pessoas tem que ter twitters pra vomitar qualquer pensamento que elas tenham por segundo. Twitter é pura solidão. É o diálogo interno que você quer pôr pra fora.
quinta-feira, dezembro 4, 2008
de Chico Mattoso, publicado na Revista da MTV 40
Tem coisa que a gente sabe que vai acabar mal. Tudo muito calmo, tudo muito certo, tudo correndo do jeito que deveria, mas a gente vê que aí tem. É como um pequeno vazamento, um cheio sutil que se desprende de algum lugar, e a gente sabe, a gente sempre sabe, a gente põe as mãos no bolso e tenta assobiar mas é óbvio que isso não adianta. Então começa a acontecer, a gente vê que está começando, mas finge que não é nada, que é bobagem, que o melhor a fazer é soltar um bocejo e dar uma conferida displicente nas unhas da mão, ah, que sujeira, e então um suspiro frouxo, um estalar da língua, uma olhada rápida no relógio enquanto ao lado a coisa cresce, alheia à nossa indifença, e ganha massa feito um bolo no forno. A coisa já aconteceu, a coisa está explodindo e já não dá para inventar disfarces, é preciso fazer algo, mas a única idéia que aparece é enfiar-se no banheiro e fingir qualquer problema. A gente tem um monte de amigos, a gente vai a festas e fala no telefone e se encontra na internet, e isso parece construir uma espécie de proteção contra as coisas, a gente esquece que toda relação tem algo de virtual, porque, no fim das contas, nenhuma solidão é capaz de misturar-se a outra. Mas começa a ficar tarde, e a gente põe denovo as mãos nos bolsos, e vai andando pra casa como se nada tivesse acontecido, e no quarteirão de cima um carro buzina e é preciso endurecer o corpo para não sucumbir ao vento gelado. Então é preciso dormir, e ter sonhos estranhos, e acordar com dor de cabeça, e escovar os dentes olhando a própria cara amassada e decidir-se, na amnésia forçada de cada manhã, a tomar uma ducha quente e começar tudo de novo. Porque a gente sabe.