— turquoise!

Archive
setembro \24\UTC 2011 Monthly archive

Nem só de borbulhas de corações estourando no ar são feitas as histórias de amor. Os conflitos amorosos surgem todos os tempos, animando o percurso para os “felizes para sempre” e dando mais crédito ao que dizem: que. afinal, que o amor e o ódio são sentimentos vizinhos. As histórias fabulam muito em torno desses desencontros: a paixão de Romeu por Julieta surgiu envolvida na guerra entre as duas famílias. Esse é só um dos exemplos, mas a fama desse episódio confirma um pouco do fascínio que há em torno do tema. Para matar as saudades das listas, um pequeno apanhado dos clipes entre o amor e a guerra.

1) Young Hearts Run Free
Enquanto os corações da juventude libertam-se, o amor floresce na guerra, prevendo seu final trágico.

2) Best Coast – Our Deal
Mais um amor que floresce de uma rivalidade.

3) Banda Uó – O Gosto Amargo do Perfume
Uma situação ao qual todos nós estamos sujeitos: sentir, no pescoço da pessoa amada, o gosto (amargo) do perfume de outrem.

4) Tiê – Você não vale nada
A pessoa amada nos atormenta, nos bagunça a vida, nos faz sofrer. Porém não há como esquecer.

5) Barão Vermelho – Eu queria ter uma bomba
Clássico clipe nacional.

Read More

Ninguém se lembrará da maioria de nós em alguns séculos: para todos os efeitos, será como se nunca tivéssemos exisitido. O esquecimento absoluto daqueles que nos precederam é um fardo pesado, é a derrota com a qual nacemos e à qual nos dirigimos. É o nosso pecado original

Rosa Montero, em La Loca de La Casa

Imagem: caption do documentário José Y Pilar

Read More

Semana passada saiu um post que eu fiz para a Ana, do inspirador A Pattern a Day.
Reproduzo ele aqui agora.

 

Há uns tantos dias, vi na televisão uma reportagem sobre a prévia aprovação da “Lei da Felicidade”. Caso seja aprovada definitivamente, essa lei incluirá na Constituição brasileira o direito à busca pela felicidade. Quando vi essa notícia, lembrei-me de um post que li aqui nesse blog há um tempo, chamado “O imperativo da felicidade“. Nele, a Ana escreveu sobre essa imposição feliz que vivemos hoje, essa crise de paixões desmedidas, de inspirações infidáveis, de momentos únicos publicados via instragram. A tristeza virou uma doença contagiosa, e agora por lei, você poderá exigir como direito a sua busca pela felicidade. Mas seria tão simples assim? A felicidade é um direto irrevogável, ou um processo?

Nos anos em que o bem-estar se confunde com realização profissional, uma vida romântica movimentada e uma publicitação do sucesso pessoal, esquece-se cada vez mais que há momentos que todas as luzes apagam. No blog Juntar os cacos, o autor fala que hay gente que si e gente que no. A gente que sim, “aqueles que baixam até bem fundo, para os porões de dentro e têm a coragem de acender a luz. De ver o que não é bonito. De tirar o lençol dos seus fantasmas e enxergar seus rostos. Tão embaixo conseguem descer, que chegam a encontrar ali o diabo andando de bicicleta, brincando em seu playground. Há gente que fez esse processo.”

E é isso, viver como gente que não, na ilusão de que a vida é um carrossel colorido, nos faz viver na superficialidade das coisas. Gosto muito de um álbum chamado “Sea Change”, do Beck. As composições são completamente influenciadas por um fim de relacionamento e o disco foi considerado um marco na carreira do cantor. São canções tristes de um momento triste. Mas que permitiram-o mudar, “celebrar a tristeza” também é uma forma de superá-la. Talvez mais do que negar.

Em um post recente no blog O Purgatório, Camilla Costa comenta sobre essa relação entre o que fazemos e nossa realização (ou felicidade?): “como eventualmente aprendemos, o nosso trabalho diário, ou aquele que fazemos para pagar as contas, não precisa ser aquilo que nos realiza completamente. Querer que o trabalho nos realize – ou o casamento, pela mesma lógica – costuma fazer com que qualquer frustração ou período de desmotivação pareça intolerável e mais trágico do que é na verdade.”

Talvez seja o excesso de leitura de romances, ou muita televisão, mas além de imperativa, espera-se que a felicidade hoje brote por todos os lados da vida: pelo trabalho, pelos relacionamentos, até por direito constitucional. Mas que não, talvez na vida real, ela seja só uma busca infindável de momentos, um processo de maturação. É como o trabalho de criação: procuramos sempre o novo, não inventando, mas criando novas conexões entre coisas que existem, já estão prontas por aí. Mas antes disso há um processo: pesquisa, angústia, falhas, tentativas frustradas. Para mim, nunca vão convencer que será tão fácil quanto um jogo de ligar pontos.

Read More

Diz-se comumente que você saí de um lugar, mas que o lugar não sai de você. Acho que essa é a melhor forma de se encontrar como cidadão de uma comunidade, um pedaço, já que acho que orgulho é algo muito perigoso. O orgulho é, de certo modo, tentar provar que somos melhores porque somos desse jeito ou de outro. Mas, pra mim, apenas ser basta. E, apenas sendo, não impede gostar também de outros lugares, viver outras experiências, descobrir e experimentar outros modos. Mudar não é negar, é ir acrescentando aos poucos. E pelo menos o meu começo já foi muito bom.

Fotos incríveis de Alessandro Giraldi

Read More

 

 

 

Read More

 

Read More